quinta-feira, 12 de julho de 2012

"Senhor primeiro-ministro: temos cara de palhaços? " de Tiago Mesquita


O texto de Tiago Mesquita intitulado "Senhor primeiro-ministro: temos cara de palhaços?" que se pode ler no blogue do Expresso "100 Reféns" é deveras interessante. Fiquei a pensar se não é menos perigoso um cego conduzir um automóvel do que o nosso primeiro-ministro governar este país, já que anda de olhos fechados!

Apresento aqui o texto na íntegra:
Tiago Mesquita (www.expresso.pt)
8:00 Quinta feira, 12 de julho de 2012

"Sem ofensa para os palhaços profissionais, que muito respeito, mas foi o que me ocorreu após ter ouvido o primeiro-ministro no debate do Estado da Nação. Até um "eu não vejo nenhuma razão para que os portugueses se sintam assustados" lhe saiu. Perdão? Falo por mim, mas quando o ouço falar desta forma ponho o nariz vermelho e pego logo na corneta. E se estava assustado, pior fiquei depois da demonstração de optimismo delirante a que assisti.

Em que mundo, ou melhor, em que país vive o senhor? Acha sinceramente que existe algum português vivo que ainda acredite nesse fadinho corrido do contentamento de quem está no poder desligado do país real? Os portugueses têm todos uma licenciatura em "igualzinho-ao-anterior-e-igual-ao-próximo" e doutoramento feito com muito bom, louvor e distinção na defesa da tese PSD + PP = PS = estamos lixados outra vez. Tudo feito presencialmente. Apesar de ter a certeza que algumas Universidades dariam com relativa facilidade equivalência a tudo isto só pela experiência demonstrada como cobaias bem comportadas às mãos de V. Exa´s.
Um milhão de desempregados depois, o país na miséria e os portugueses em dificuldades extremas. Dezenas de milhares de pessoas a entregarem as suas casas aos bancos. Bancos que os portugueses pagam quando estão prestes a ir ao charco ou com "falta de ar". Nacionalizações disparatadas e financiamentos escandalosos. Milhares de jovens sem futuro e obrigados a fugir do país. Corrupção a rodos. Os banqueiros a brincar aos governos. A Troika a ganhar dinheiro. Milhares de professores contratados com guia de marcha para o desemprego. Temos uma ministra da justiça, ouvi dizer. O cerco ao SNS, aos médicos e restantes profissionais de saúde - entregando de bandeja o que é de todos ao sector privado. A promiscuidade que alastra em vez de estancar. Impostos grotescos com efeitos devastadores. Agricultores desesperados. As nomeações escandalosas e os boys colocados. O roubo dos subsídios aos funcionários públicos e o aproveitamento de uma decisão do TC para possivelmente estender o corte aos privados, "cuspindo" na Constituição que nos deveria proteger. Posto isto, vê V. Exa algum motivo para preocupação, algo que deva assustar os portugueses? Não? Nada? Nem o défice a escorregar que nem um maluco?
Onde estão as políticas de emprego? Quando é que V. Exa se digna a olhar para as parcerias público-privadas, esse cancro que mina o Estado e que nos vai levar à desgraça orçamental e provável falência. Quando é que põe ordem nas contas públicas da Madeira, esse sorvedouro insustentável, calando de uma vez por todas aquela personagem insuportável que goza connosco, consigo e com o Presidente desta coisa a que chamam República sempre que abre a boca?

Dr. Passos Coelho: os portugueses têm todas as razões para estar assustados, ou não fosse o senhor o atual primeiro-ministro deste país."

sexta-feira, 29 de junho de 2012

"...primeiro liga-se o corpo e aquilo que se sente e, só depois, o que se sabe com tudo o que se aprende. É por isso, certamente, que, ao contrário dos sabichões, os sábios nunca são enfadonhos".


Mais um texto maravilhoso de Eduardo Sá.


"A escola é uma sala de estar. Tem de aconchegar! Um professor de verdade educa antes de ensinar e é por isso que muitos professores são, muitas vezes tios, mesmo não devendo, são um bocadinho pais.

1. Na verdade, nada é tão linear como parece. Nem as crianças são pequenas, nem os seus pais crescidos, como aparentam. Elas nem sempre crescem. E eles voltam, por dentro, muitas vezes, para trás. Com o tempo há quem se torne jovem. E quem, entre as oportunidades que tem para crescer, vacile e envelheça. Com o tempo, há quem se torne ingénuo e sábio, arrebatado, amável, terno ou buliçoso. E quem azede, adoçando a ira de euforia. Com o tempo há quem - de cada vez que muda queira começar do zero (como quem deixa de si quase tudo para trás). E há quem recrie tudo o que sabe, nunca partindo sem que leve aquilo que os outros teimam em deixar. Para quem envelhece nada é eterno. Para quem se recria tudo é para sempre. Quem envelhece morre todos os dias, um pouco mais. Quem se recria torna-se jovem, sempre que aprende.

2. Na verdade, nada é tão linear como parece. E é por isso que eu imagino que, um dia, a escola deixe as linhas direitas e se desarrume um bocadinho. E mais pareça uma praça muito grande, onde, a par de todas as matérias que as crianças tenham de aprender, haja um senhor, com bigodes retorcidos e rosetas afogueadas, tomando conta do sorriso, que as torne brincadoras. E lhes explique - devagarinho, se for preciso – que brincar é aprender. As crianças deviam ter recreios de compensação até que aprendessem a brincar. E ninguém as devia largar enquanto não abafassem berlindes, jogassem ao lenço ou à macaca, porque primeiro liga-se o corpo e aquilo que se sente e, só depois, o que se sabe com tudo o que se aprende. É por isso, certamente, que, ao contrário dos sabichões, os sábios nunca são enfadonhos. E um dia, para além da história que vem nos compêndios que cheiram bem, a D. Perpétua, que distribui graçolas com os jornais que vende, todos os dias, devia ensinar às crianças que, tão importante como a conjugação dos verbos e a gramática, a aritmética ou a matemática, é bom chorar no cinema, quando tem de ser. E só se aprende uma história, seja a de um rei ou a de um peixe com memória de grilo, por exemplo quando ela entra por nós sem nenhum «se faz favor!?...» e fica, em parte incerta, cavaqueando baixinho. E que o senhor do talho, que empurra o mundo com o avental, avalie com todo o rigor se cada criança é capaz de rir até às lágrimas, antes de ousar pegar no lápis e escrever aquilo que se acotovela na imaginação. Na verdade, o riso é amigo do espanto. E quem não se espanta nunca aprende que um problema é sempre muito mais importante do que qualquer solução. Ah! E se houver um Doutor Valeroso, de óculos descaídos, que não ensine o português antes de as crianças aprenderem a ir ao último capítulo, logo depois de passarem pela casa da partida, será demais. Como é bom atropelar a imaginação sempre que se adivinha! Sem nunca, mesmo nunca, confundir sonho e devaneio!
A escola é uma sala de estar. Tem de aconchegar! E precisa de explicar, ao mesmo tempo, que compreender não é condescender. E que um professor de verdade educa antes de ensinar e é por isso que muitos professores são, muitas vezes, tios e, mesmo não devendo, são um bocadinho pais. A escola devia ser, também, um banco de jardim. E devia pôr, no lugar da unicidade, a pluralidade: diversos professores, muitos amigos, os pais num entra e sai, mais a D. Perpétua, o senhor das rosetas e o homem do talho que educam melhor, e põem mais longe no olhar. A escola devia ter um cantinho, para cada um. E um diretor de turma devia dar poucas aulas. Muito poucas. E devia telefonar, a perguntar pela constipação da Constança e devia fechar a escola, sempre que uma criança se zangasse com ela e a abandonasse. E sempre que uma criança reprovasse duas vezes, devia considerá-la em perigo. Não tanto a criança, mas a escola e a família (que parecem distraídas, uma com a outra, e não a conhecem).

3. A escola é uma praça, uma sala de estar e um banco de jardim. E, com o tempo, devia tornar ingénuos e sábios, arrebatados, amáveis, ternos ou buliçosos todos aqueles que vacilam e envelhecem. Para quem envelhece nada é eterno. Para quem aprende tudo é para sempre.
A escola devia ter um cantinho, para cada um. O diretor de turma devia fechar a escola, sempre que uma criança se zangasse com ela e a abandonasse."

quinta-feira, 21 de junho de 2012

O amor deve ser cego





Nunca devemos julgar as pessoas que amamos. O amor que não é cego, não é amor.

Honoré de Balzac

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Toyota cria automóvel para ser conduzido por crianças




"Mamã, quero conduzir o teu carro". A frase não é estranha mas vai passar a ter uma resposta diferente de: "Ainda não tens idade para isso". A Toyota acabou de apresentar o Camatte Concept, um carro-conceito pensado para a família, mas projetado para ser conduzido pelos mais pequenos.

O Toyota “mini” tem espaço para três pessoas e todos os seus elementos fazem com que o veículo se assemelhe a um carro real. Tem pedais, bancos reguláveis, rádio e espelhos retrovisores. Além disso, o carro pode ser montado e desmontado, transformando-se nas versões Sora e Daichi.
O design interior do automóvel foi concebido para que a criança se sente no banco da frente do carro e, atrás nos dois bancos laterais, fiquem os pais, formando uma espécie de triângulo que facilita a comunicação e reforça a segurança.
O modelo já foi exibido no International Tokyo Toy Show 2012, o Salão do Brinquedo de Tóquio. No entanto, a sua comercialização não está ainda prevista. Vamos ver até quando...

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Avós... nossos segundos pais


Li na revista online http://paisefilhos.pt um artigo que se intitula: "Avós para sempre".

Interessante e verdadeiro. Basicamente fala de amargos cenários onde as ligações afetuosas entre netos e avós são afetadas com a separação dos casais. Logo no início lê-se que "quando uma mãe ou um pai dificultam até ao infinito a relação do filho ou dos filhos com o anterior companheiro, os pais deste têm ainda mais dificuldades em manter contacto com o neto ou os netos".

Ora então, até 1995, a legislação portuguesa não dava quaisquer direitos aos avós, no caso de separação ou morte dos pais. A partir daí, estabeleceram-se dois princípios: o de relacionamento com o neto, dividido entre a relação pessoal propriamente dita e as informações sobre a vida do menor; e o do direito da criança a conviver com os avós, como forma de desenvolvimento da sua personalidade e identidade.

Assim sendo, para Luís Silva, especialista em Direito da Família, "sendo certo que a lei não permite aos avós sobreporem-se aos pais – desde que estes facilitem o contacto com os netos –, existem boas razões para lutar quando isso não acontece".

O terapeuta familiar José Carlos Garrucho vai mais longe e afirma que "perante situações de afrontamento que têm no centro crianças,  tanto os pais como avós não têm direitos, têm obrigações". Para ele "todas as coisas têm o seu tempo e esse tempo edifica pessoas diferentes. Até aos cinco anos, as crianças constroem grande parte da forma de enfrentar o mundo, as suas capacidades de coragem e resiliência. Não permitir aos adultos – sejam eles pais, avós ou outros – que contribuam para esse processo significa empobrecê-lo de forma irremediável", remata.